reportagem
Lara Saramago foi informada de que seu pedido de alojamento tinha sido atendido pelos Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico de Coimbra. Mas descobriu que não ficara contente com a notícia. "Ir para uma residência? Dividir um quarto? Nem pensar", foi a primeira reacção desta aluna do curso de formação de professores do 1º Ciclo de Ensino Básico, na ESEC.
Depois lá se capacitou de que ia mesmo viver a experiência de morar numa residência académica. Feitas as malas, Lara abandonou o quarto que ocupava, sozinha, num apartamento com mais três pessoas.
Numa rua sem saída junto ao Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), no meio de árvores, depara-se com cinco blocos construídos em forma de zigue-zague, mais conhecidos pela "residência laranja". Esta é uma das residências que o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) possui para dar resposta aos pedidos de alojamento dos alunos com maiores dificuldades económicas.
À entrada do bloco 3, a delegada, que também é aluna e aí residente, está à espera de Lara, para lhe explicar algumas regras de funcionamento da casa. O primeiro passo é preencher um formulário. De seguida, a delegada mostra-lhe a sala de convívio, comum aos três pisos do bloco. Sentadas no sofá preto, três estudantes cumprimentam Lara sem se distrairem da televisão. Ao descer as escadas para a lavandaria, a nova residente cruza-se com duas raparigas que carregam cestos de roupa.
A delegada leva-a finalmente ao quarto que lhe está destinado, depois de atravessarem a cozinha onde há mais gente a comer. A cozinha, que será utilizada por mais 13 estudantes, está totalmente equipada. No mesmo piso, existe ainda uma sala de estudo.
Curiosa e apreensiva, Lara abre finalmente a porta do 311, para conhecer a sua colega de quarto que, afinal, não está. "Sou filha única e nunca tive de dividir as minhas coisas", confessa. O quarto é exíguo e a cama está coberta com a colcha beige da residência, que Lara não tardará a trocar por outra mais colorida.
Devagar, aproxima-se da parede onde estão coladas fotografias de várias pessoas e tenta adivinhar qual delas será a sua colega de quarto. Enquanto desfaz as malas, ouve risos e passos no corredor. Sente o quarto pequeno demais para as suas coisas.
Hoje, dois anos depois deste dia, Lara diz que aprendeu a viver em comunidade e a partilhar. Natural de Alcácer do Sal, vai poucas vezes a casa e, por isso, passa muito tempo na residência. "Agora, quando estou sozinha no quarto, não é a mesma coisa", admite, já completamente integrada.
No bloco ao lado, o dos rapazes, Roberto Lopes vê televisão com outros residentes. "Nunca me sinto só, há sempre alguém por perto", afirma este aluno do ISEC. Na residência há três anos, Roberto revela algumas coisas menos boas da convivência com muitas pessoas. "Foi muito constrangedor quando roubaram um monitor e todos tivemos de o pagar". O episódio gerou desconfiança, recorda. Mas prefere sublinhar os aspectos positivos da vida em comum. Quando chegam alunos estrangeiros, por exemplo, todos se esforçam por os integrar. "Tentamos falar em Inglês para os ajudar", acrescenta Roberto.
Tanto Roberto como Lara relembram os tempos em que os blocos da residência declararam uma "guerra de sexos". As partidas eram constantes. Os rapazes, com as suas engenhocas, conseguiram assustar as raparigas. "Um dia, saio da cozinha e quando olho para a porta do meu quarto vejo uma labareda. Pensei que o meu computador tivesse explodido e tivesse acontecido alguma coisa à minha colega de quarto, que estava a dormir”, relembra Lara com um sorriso. Afinal era apenas um pouco de cola a arder, no chão. Noutra trincheira, Roberto conta que certa vez, ao sair do banho, desobre o guarda-fatos completamente vazio. "Tinham sido elas", ri.
Da experiência de morar numa residência Lara e Roberto dizem levar "amigos para toda a vida". Relembram também os grandes convívios que os blocos organizaram, o último foi o da eleição da miss e do mister caloiro.
Gerir a residência "é um desafio diário. Mais do que um trabalho, é uma missão que se assume com responsabilidade", diz Patrícia Almeida, assistente social do IPC. "É algo muito gratificante. Sentimos isso, quando um residente termina o curso e vem até aos SAS dar-nos um abraço em jeito de despedida e agradecer as oportunidades proporcionadas pelos serviços", conta emocionada. Grupo 1
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Morar na "residência laranja"
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
f'jrs x rtp + mrs/*mmg* x tvi + fem> : esec = 0
Já pensei em tentar escrever sobre o diferendo entre o José Rodrigues dos Santos (JRS) e a RTP imensas vezes, e abordá-lo sob várias perspectivas. Por exemplo, podia tratar das interferências da administração da RTP nas decisões que cabem ao Director de Informação e que levaram à demissão de JRS em 2004; ou talvez comparar este caso com o que aconteceu com o Marcelo Rebelo de Sousa ou a Manuela Moura Guedes, que foram afastados ou pressionados a ‘calarem-se’ por interferências dos vários tipos de poder: o executivo de Santana quis abafar as críticas de Marcelo ao Governo; Manuela Moura Guedes foi imediatamente afastada pela Media Capital, quando o grupo económico comprou a TVI.
Finalmente, pensei mesmo em falar sobre a crescente importância das mulheres no mundo actual, nomeadamente nos altos cargos de organizações e, especialmente, na política. Pensei logo nos dois exemplos mais recentes: Segolène Royal, em França, e Hillary Clinton, nos Estados Unidos. Até tinha um ângulo de ataque perfeito! Pegava no facto de ser cada vez mais notório o facto de as mulheres começarem finalmente a ter um papel importante na sociedade. Apesar disso, desta defesa convicta da influência crescente das mulheres no mundo, vejo que a sociedade ainda não está preparada para ver materializadas estas mudanças. E isso materializou-se com a derrota de Segolène Royal contra Nicolas Sarkozy, apesar da óptima campanha que conduziu nas presidenciais em França. E espero que tal não venha a acontecer com Hillary Clinton, nas presidenciais norte-americanas em 2009. O mundo precisa de mulheres no poder! No entanto, foi aqui que as coisas começaram a complicar-se e as palavras se atropelaram umas às outras. E não digo isto de forma irónica!
Grupo 4 (João Oliveira)
"É possível comprar e vender sem recurso a dinheiro"
O que é o Mercado Solidário?
É um conceito e um instrumento económico de uma economia solidária, não capitalista, em que a base não assenta nem lucro nem nas mais-valias, mas em relações de troca de comércio mais solidário e justas.
Porquê realizá-lo na ESEC?
Porque temos a ideia de que só há uma maneira de comprar e vender, que é no shopping ou no supermercado, e uma maneira de pagar, que é em euros. Há milhões de pessoas no mundo que não têm acesso a dinheiro, por pobreza e miséria e também porque as economias locais têm escassez de dinheiro e têm de sobreviver. Então, inventaram formas diferentes de fazer comércio, sem a existência de dinheiro. Isto pareceu-me interessante, uma vez que estamos num mundo globalizado, em que muitas vezes perdemos a ideia de que o mundo é maior do que aquilo que nós vemos. Assim, queremos mostrar e ver que é possível comprar, vender, suprir necessidades sem recurso a dinheiro. Uma comunidade poder gerir os seus recursos para que todas as pessoas possam ter acesso a produtos e serviços importantes para a sua vida. Pareceu--me interessante fazer essa experiência aqui na ESEC.
A organização é do curso de Animação Socioeducativa mas com algumas parcerias. Quais?
A grande parceria é entre o curso de Animação Socioeducativa, em que todas as turmas estão envolvidas - quase 200 estudantes-, e uma comunidade rural da Granja de Ulmeiro, que já faz este tipo de mercado há três anos. Esta comunidade sabe muito bem como isto funciona. É uma iniciativa intergeracional: quando pensamos nas pessoas mais velhas, pensamos que ou estão nas instituições ou contam estórias antigas. Neste caso, as pessoas mais velhas sabem mais do que nós sobre economia solidária e podemos ter um convívio interessante com estas pessoas.
A moeda oficial é a "justa". Porquê este nome e como vai funcionar?
Não temos dinheiro, mas temos moeda. Dinheiro e moeda não são a mesma coisa. A moeda é local e só vale na ESEC. Cada comunidade tem de pensar na moeda e no valor de referência que faz sentido nessa mesma comunidade. Havia muitas propostas: "solidário", "animação", "esequitas". Escolheu-se "justas", porque tinha de ser um nome que apelasse à justiça, à solidariedade, às trocas de amizade e, por outro lado, que fosse curtinho e nada complicado. No mundo capitalista, a maior parte das economias baseia-se no preço do barril de petróleo; no caso da ESEC, pensámos no que vale muito para os estudantes, o que pode ser um valor de referência. Chegou-se a um consenso sobre aquilo que poderia ser um portfólio de competências pessoais e profissionais, que é um dos frutos do trabalho da maior parte dos estudantes da ESEC. Quanto pode valer um portfólio? Chegou-se ao valor de 150 justas e todos os outros valores serão feitos ou indicados tendo como referência o portfólio. Só há uma regra para entrar no MS: todos podem entrar, se trouxeram uma coisa feita por si, fruto do seu trabalho. Quando se inscrevem com um produto ou serviço, há um banco que oferece 500 justas em troca do produto ou trabalho. É com essa moeda que se vai vender e comprar. Depois funciona como outro mercado qualquer. O banco só dá o primeiro crédito em troca do serviço ou produto, para todos terem igualdade de oportunidades.
O que podemos encontrar neste mercado?
Muitos produtos da terra, que as pessoas cultivam ou produzem, desde frutas, legumes, vinho, batatas... Também há produtos alimentares confeccionados, como compotas, bolos, mel, molhos… Vamos ter uma secção de artesanato urbano, que é feito pela malta mais nova - porta-retratos, écharpes, bijuteria. E temos uma secção de artesanato mais tradicional: panos da loiça, bordados, saquinhos para o pão, rendas, coisas feitas por moças mais novas e mulheres mais velhas, coisas que podem constituir bonitos presentes para dar à mãe ou à avó no Natal. Haverá ainda uma secção de serviços, como contar histórias, manicura, aulas de voz, de canto, boleias, depende daquilo que cada pessoa pode e quer dar neste contexto. Tem uma infra-estrutura simples, uma vez que não temos grandes recursos. Grupo 5
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
RGA para 15 alunos
A primeira Reunião Geral de Alunos (RGA) deste ano lectivo contou com a participação de apenas 15 alunos, sendo que nove eram membros da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação de Coimbra (AEESEC). A RGA decorreu a 21 de Novembro, no auditório da escola.
O presidente da AEESEC, Laurindo Filho, disse ao Cl@sse-Media ter ficado aborrecido com o desinteresse da generalidade dos estudantes pela RGA, que nem por isso deixou de se realizar. “Nem que fosse só com um aluno”, comentou.
Com o aumento das propinas, a análise da situação do Ensino Superior e o balanço da actividade da AEESEC na ordem de trabalhos, a RGA estava planeada desde o início do ano lectivo, já mas a associação de estudantes preferiu esperar por uma quarta-feira em que o auditório estivesse livre.
Os membros da AEESEC queixaram-se que o facto de Instituto Português da Juventude ter reduzido em 60 por cento as verbas destinadas à associação estava a dificultar a concretização do programa elitoral e a prejudicar a actividade dos núcleos.
Laurindo Filho observou que todos os estudantes reclamam as infra-estruturas, mas que, dos 1800 alunos da ESEC, apenas 600 subscreveram o abaixo-assinado contra o aumento das propinas. Grupo 4
"Estamos cá para vos servir, mas não somos vossos servos"
João Ventura é o coordenador do Centro de Meios de Audiovisuais (Cemeia), o serviço mais procurado pelos alunos dos cursos de Comunicação da Escola Superior de Educação de Coimbra. É um funcionário conhecido pela sua disponibilidade e profissionalismo. No Instituto Miguel Torga, lecciona duas disciplinas do curso de Multimedia - Atelier de Vídeo e Edição de Vídeo Digital. Mora no Porto e os seus dias têm menos três horas e trinta minutos. E o tempo que passa em viagem, entre casa e a ESEC.
Muita gente estuda em Coimbra e vai trabalhar para cidades maiores. O João Ventura estudou no Porto e veio trabalhar para Coimbra.
Tirei o bacharelato em Tecnologia da Comunicação Audiovisual, no Instituto Politécnico do Porto, mas a licenciatura em Comunicação Social já foi feita aqui na ESEC. Em relação aos audiovisuais, a minha formação-base é técnica e decorreu, de facto, no Porto. O curso de Comunicação Social foi um complemento, para tentar perceber o que é esta arte da comunicação, para entender a sua técnica. Aprendi o que é estar em frente a uma câmara ou a um microfone de rádio. Sinceramente, a escrita não me atrai tanto.
Quando entrou no Cemeia?
Sou coordenador desde Setembro, deste ano. Mas trabalho aqui na ESEC desde 1998.
O que é que mudou no Cemeia, nesses quase dez anos?
O contacto que tive com os audiovisuais durante a minha formação no Porto permitiram-me aceder a uma realidade que simplesmente não existia aqui, em Coimbra, quando cheguei. Não direi que aqui estávamos na pré-história, mas a ESEC estava muito mal equipada. Tanto em qualidade como em quantidade. Pareceu-me, também, que não havia uma orientação lógica em termos de aquisição de audiovisuais, quer fosse um vídeo, uma câmara ou um computador. Temos que nos lembrar de que, há dez anos, um equipamento topo de gama, mesmo que fosse da área dos utilizadores domésticos, era muito caro. Agora, já estamos na era do digital. Temos equipamento de DV (Digital Video) e já pensamos em adquirir HD (High Digital).
O Cemeia existe essencialmente para gerir os equipamentos utilizados pelos cursos de Comunicação Social e Comunicação e Design e Multimedia?
Não. O Cemeia tem um conjunto de equipamentos requisitáveis e não requisitáveis. No entanto, os materiais - uns de uma gama mais baixa, outros profissionais -pertencem à escola e são para os alunos utilizarem. Independentemente do curso. Desde que se seja aluno da ESEC, pode-se aceder aos equipamentos.
A ESEC tem verbas que permitam ao Cemeia comprar equipamentos de qualidade?
Não. A escola não nos tem dado esses orçamentos. Por políticas internas, mas talvez também por falta de experiência de gestão. Ainda assim, temos adquirido alguns materiais. Neste momento, estou a elaborar uma espécie de caderno de encargos, onde todas as necessidades do Cemeia estão incluídas. Desde as obras, as alterações físicas do espaço, ao equipamento.
Como caracteriza o ambiente de trabalho no Cemeia?
Penso que o ambiente é bastante saudável. Cada um tem a sua personalidade, mas há que saber gerir os recursos humanos. Tento, como coordenador, ouvir toda a gente, e espero que também me saibam ouvir. Há questões que são absolutamente profissionais e outras não. Em termos de relação entre funcionários e colaboradores, a situação é bastante salutar.
Os alunos fazem muitas queixas? Quais são as mais frequentes?
Se tiverem queixas a fazer, agradeço que as façam. O que acontece, algumas vezes - e isso também depende da altura do ano lectivo -, é que, quando os alunos estão mais apertados com o tempo, o desespero acaba, às vezes, por gerar algumas crispação desagradável. Normalmente, as queixas estão relacionadas com a falta de recursos técnicos.
No início do ano lectivo, havia falta de colaboradores. Porque é que isso acontece, quando há alunos que se disponibilizam para colaborar?
Há falta de colaboradores pela seguinte razão: quando vim para cá, éramos quatro pessoas efectivas. Passaram nove anos e, agora, somos só duas. Portanto, tendo em conta o número de utilizadores que temos e o elevado número de requisições, duas pessoas fixas neste espaço é insuficiente. O ideal seria três, quatro seria espectacular e cinco já seria uma multidão. A questão dos colaboradores está relacionada com a falta de verbas e de autorização, por parte do conselho directivo, para a integração de alunos no Cemeia, assim como no apoio às salas de informática e noutros sectores.
Os alunos vêm ter consigo muitas vezes para tirar dúvidas relativas a assuntos que foram leccionados nas aulas?
Isso é "o pão nosso de cada dia" [risos].
Porque é que isso acontece?
Independentemente dos docentes que leccionam esta ou aquela disciplina, há componentes que que lhes escapam: são os elementos técnicos. Na parte académica, são excelentes. Têm investimento pessoal na carreira, a nível de mestrados e doutoramentos. Mas tenho notado uma dificuldade da parte deles nas questões puramente técnicas. Desde a mais simples à mais elaborada. Uma das hipóteses, para resolver essa situação, seria fazer como nas engenharias - as disciplinas teriam uma vertente teórica, leccionada pelo docente da cadeira, e um acompanhamento de prática no laboratrial, a cargo de alguém entendido do ponto de vista técnico. O que acaba por ser preocupante são as exigências que os docentes fazem nos trabalhos que pedem aos alunos, sem explicarem como se faz. Custa-nos um bocado emprestar equipamento que é da comunidade da ESEC e que o aluno nunca viu e não sabe sequer para que servem os botões.
Esta é uma escola do Ensino Politécnico. Os alunos saem daqui preparados para manejar os equipamentos que encontrarão na actividade profissional?
Os alunos sairão como eu saí do Politécnico: não me sentia preparado. Mas tive uma vantagem: no Porto, todos os alunos eram enquadrados em estágios profissionais que permitiam trabalhar a sério em vídeo e fotografia. Permitia-nos acompanhar as equipas de reportagem no terreno e passar por vários sectores. Não ficávamos a tirar cafés, como acontece nalguns estágios. Também é preciso ter sorte e encontrar pessoas com disponibilidade para nos ensinar.
Sabia que, de acordo com os inquéritos que os alunos responderam no ano passado sobre a qualidade dos serviços da ESEC, o Cemeia foi o centro que reuniu opiniões mais positivas?
Não sabia.
Como explica esse facto?
Independentemente de se estar a trabalhar numa instituição pública ou privada, temos que fazer o nosso trabalho. Há pessoas que se acomodam e há outras que tentam resolver os problemas da melhor forma. Temos de enfrentar as dificuldades que os alunos nos apresentam e, ao fazê-lo, estamos a aprender também. Há situações que já são rotineiras, mas há outras que nos obrigam a procurar soluções e que nos fazem ganhar experiência. Estamos cá para vos servir, mas não somos vossos servos.
Se pudesse melhorar já o equipamento de um dos laboratórios da escola, qual escolheria?
O parente pobre do Cemeia, neste momento, é o áudio. A parte de vídeo também precisa de levar uma volta, de um investimento, mas ali já existe qualquer coisa. Na parte do áudio é que não temos mesmo nada.
Que planos está a fazer para o Cemeia?
Muita coisa, muita coisa... Sem dinheiro não se pode fazer muito. Tenho de pensar na quantidade de utilizadores do serviço. As necessidades dos alunos de Comunicação em termos de equipamento, que, à partida são os mais especializados, coincidem com as dos alunos de Educação Física, que gravam alguma das suas aulas. E não há microfones. É algo que tem de se ter em conta. E depois há outro tipo de utilizadores, mais comum, que são os dos outros cursos. Esses já levam outros equipamentos, outro tipo de câmara, que já se encontra adequado. Quero também apostar na formação interna, fazer workshops, a nível de informática, de edição de vídeo e de áudio. Para que as pessoas, ao entrarem aqui, não estranhem os equipamentos. Isso também ajudaria na salvaguarda dos mesmos equipamentos, em termos de durabilidade.
Já lhe surgiu a oportunidade de ser docente na ESEC?
É incompatível ser docente e técnico em simultâneo. Não seria por mim, só que, na ESEC, podemos ser todos funcionários do Estado, mas teremos aqui duas classes. É complicado para a escola gerir o facto de técnicos poderem estar a leccionar. Preferem, infelizmente, ir buscar pessoal ao exterior. Não quer dizer que sejam melhores ou piores do que os da casa. Quem gere a escola é o conselho científico.
Como trabalha numa área que está em constante mutação, sente necessidade de se actualizar?
Completamente.
A ESEC favorece a criação de novos projectos no Cemeia?
Tanto nos pedem ideias como, quando queremos fazer alguma coisa, dizem que “estamos a pôr-nos em bicos de pés”, que “estamos à procura de protagonismo”. Dizem sempre que temos falar com X ou Y, porque é coordenador da área e que, se não o fizermos será de mau tom. É complicado. Costumo dizer que somos meia dúzia de "gatos pingados" aqui na ESEC e que podíamos andar no paraíso, mas há muitos grãos de areia... Esta é uma fase de adaptação, para o Cemeia. Estou a ver como as coisas estão, até ao final do ano. Em 2008, não digo que vou "entrar a matar", mas quero vero se mexo alguma coisa. Acontece é que, na função pública, os prazos são sempre muito dilatados. Neste momento, a palavra para o CeMeiA é "adaptação".
E o João Ventura, está "adaptado"?
Não me quero tornar numa pessoa que "pica o ponto" para entrar e para sair e vai embora a pensar que já passou mais um dia. Já que estou nisto, não quero frustração aqui. Grupo 4
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
A Imagem da persistência
Luís Pato começou cedo a revelar um gosto particular pela imagem. Aos 7 anos, passava a maior parte do tempo a desenhar com lápis de carvão. E podia demorar dias a terminar um desenho.
A sua infância foi passada nos Estados Unidos. Nascido em 1976, na cidade de Cantanhede, Luís Miguel da Cruz Pato foi viver ainda pequenino para Newark, com os pais. Numa das viagens a Portugal, foi impossível separá-lo do lápis e do caderninho de desenho. Foi no chek-in, no aeroporto, onde um funcionário diligente decidiu que as normas de segurança não permitiam o transporte daqueles objectos junto dos passageiros. O pequeno Luís fez uma birra tão grande que o seu pai não teve outro remédio senão pagar 50 dólares de caução, para que o seu rebento pudesse terminar o desenho que estava a criar há dias.
Dos Estados Unidos, Luís Pato trouxe o hábito de leitura e uma boa formação de base. Aos 13 anos, já tinha estudado três obras de Shakespeare, ouvia Mozart, Beethoven e tinha feito teatro. O seu gosto musical vem dessa educação. Desde cedo foi motivado pelo pai a participar numa orquestra, onde começou a praticar trompete. Ainda hoje adora ouvir Miles Davis e Louis Armstrong.
A criança sossegada tornou-se um adulto persistente. De volta a Portugal, estudou na Escola Secundária de Cantanhede. Logo então, tentou trabalhar no campo do audiovisual. O seu fascínio pelas câmaras levou-o a perseuir fotógrafos de casamento, pedindo-lhes para o deixarem fazer a reportagem em vídeo. Não teve sorte, mas nunca mais deixou de bater às portas, oferecendo-se para colaborar em trabalhos relacionados com a comunicação e com a imagem. Quando frequentava a licenciatura de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra, entrou para a rádio Rádio Universidade de Coimbra e participou no jornal académico A Cabra. A atracção de Luís Pato não era tanto pelo jornalismo de imprensa. O que o atraiu para o curso foi o desejo de “contar histórias através da estética da imagem”, explica. A componente audiovisual da licenciatura em Comunicação Social permitiu-lhe desenvolver as suas aptidões na sua área de eleição.
Grande cinéfilo, gosta de Stanley Kubrick e de Hitchcock, realizadores que tem como referência e com quem tenta aprender sempre mais.
Fez estágio curricular na NBP [Nicolau Breyner Produções], onde trabalhou no plateau de quatro novelas televisivas. Nesta fase, Luís Pato comenta que “nem via o sol: Entrava ainda de noite no estúdio e saia no final do dia, já novamente de noite”.
Fez o Mestrado na Universidade Nova de Lisboa em Audiovisual, Multimédia e Interactividade, onde se desviou da parte jornalística da sua licenciatura, aproximando-se cada vez mais daquilo que realmente queria fazer.
No segundo ano da licenciatura, assim que soube que ia ser criada a TV Saúde, resolveu faltar às aulas e, à tarde, já lá estava pronto para colaborar. Aceitaram-no e, a partir daí, descobriu o que realmente queria fazer, tratamento de conteúdo e imagem, área que investiga e em que trabalha até hoje.
Trabalhou com Francisco Amaral, que considera ter sido um verdadeiro mestre, em termos de ensino técnico e de lições de vida. "Ele é uma parte da história da comunicação social viva em Coimbra”, resume Luís Pato.
O discípulo regressa como formador à Escola Superior de Educação de Coimbra, por convite dos professores Francisco Amaral e Franklin Carvalho, quando estava a decorrer o projecto de criação da ESEC TV. Participou na sua concretização e trabalha lá há já quatro anos.
Tem um ar sério e sisudo e é o primeiro a dizer que “devia ser mais simpático”. Apesar do seu aspecto fechado, revela-se muito acessível afinal. Segundo Carina Esteves, da ESEC TV, Luís Pato é muito trabalhador e dedicado. "Se precisares de algo, ele estará lá. É muito amigo e preocupado, somos uma família”. Os outros colegas da ESECTV também reconhecem o seu perfeccionismo e empenho. Quando algo corre mal, Luís Pato tem de perceber qual o engano e explicá-lo da forma mais técnica possível.
Às 20h00, ainda vemos Luís Pato atarefado pela ESEC. Bruno Santos, apresentador da ESEC TV, comenta que ele "parece andar sempre atarefado com qualquer coisa que ninguém sabe bem o que é… Mas que, de facto, é![risos]”. Grupo 4





















