sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A febre (encarnada) de sábado à noite

Manuel Branco, nasceu em Espinho há 55 anos. É ali que reside, mas corre as regiões norte e centro com a sua banca ambulante. Onde haja jogo de Porto, Benfica ou Sporting - a ordem não é arbitrária - ele lá está. A venda é ´desportivamente´ diversificada: Cachecóis dos mais diversos clubes, com destaque para os três “grandes” do futebol luso, assim com camisolas, bandeiras, gorros, pequenos galhardetes, pins e até isqueiros.
Sábado, 24 de Novembro. O Académica-Benfica promete noite de enchente e boas perspectivas para o negócio. O espinhense não falta. O seu ´estabelecimento´ está montado junto à Igreja de S. José, a poucos metros do Estádio Cidade de Coimbra.
Faltam mais de duas horas para o apito inicial no desafio de mais uma jornada do campeonato. O corrupio já é grande em redor do recinto.
“Prá bola há sempre dinheiro!”, constata o nortenho, habituado a grandes movimentos. “Olhe, quando o meu Porto joga, é lá à porta do estádio que faço negócio. E quando são os jogos do Benfica ou do Sporting aqui para cima também não falho. Umas vezes vendo mais outras menos, mas vai dando”, confessa.
Menos sorte parecem ter as ´roulottes´ das farturas e dos cachorros e bifanas. Estão quase às moscas. A noite começa com muito frio e os adeptos preferem lugares mais resguardados para aconchegar o estômago. Não admira por isso que o sector da restauração do centro comercial paredes-meias com o estádio esteja à pinha e assim há-de estar por largos minutos. Predomina o vermelho nos adereços habituais nestas ocasiões. Os da Briosa são menos e mais contidos.
O jogo começa às nove e um quarto. Os autocarros com as equipas hão-de chegar dentro em pouco, a hora e meia do pontapé de saída. À espera dos craques, o gradeamento de segurança está lotado. Não tardam. As sirenes dos batedores da Brigada de Trânsito ´anunciam´ o Vermelhão (é assim que é conhecido o luxuoso veículo de águia estampada). O primeiro momento de entusiasmo da noite é feito de palmas, muitas palmas, e gritos, muitos, do famoso “SLB, SLB, Glorioso SLB”. Mais discreta, poucos instantes depois, a chegada do adversário. Mundos e realidades bem diferentes.
As portas do recinto ainda estão fechadas. Aproveita Maria Glória, 61 anos “feitos a semana passada”, para ganhar a noite. Os braços carregam inúmeros cachecóis, todos encarnados. Deambula por entre os adeptos, cada vez em maior número. “Olhó cachecol! É pró maior!”, vai gritando. “Isto está mau, mas a cinco euros vou vendendo. Hoje em dia o que são cinco euros?”, pergunta sem esperar resposta.
São quase oito da noite. Abrem-se as portas do estádio. Os primeiros adeptos passam os torniquetes. O Rui e a Vera chegam junto da porta 3. Ele com 30 anos, ela 26. Vieram de Cantanhede. Os cachecóis vermelhos em volta do pescoço denunciam a preferência. “Até nem me importava com um empatezito, mas o Porto não pode fugir mais”, atira ela sorridente. “Qual empate?! Ganhar e por muitos!”, contrapõe de pronto o companheiro, pouco dado a sentimentos de boa vizinhança. E lá entram para as bancadas.
À medida que os ponteiros do relógio avançam maior é a azáfama em direcção as diversas portas. Cinco autocarros chegam com as claques dos ´Diabos Vermelhos´ e ´No Names Boys´. A escolta policial impressiona. Tudo decorre sem problemas.
Junto às bilheteiras há castanha assada. “Uma dúzia, um euro”, responde o assador a cada pergunta dos que chegam chamados pelo cheiro intenso.
O estádio vai enchendo a conta-gotas. Há-de chegar aos 16 mil espectadores, dois terços a torcer pelo clube visitante. O Benfica sofre mas termina a ganhar 3-1. É a festa vermelha nas bancadas. Bandeiras ao alto, cachecóis erguidos. O ´povo´ está feliz.
Uma hora depois do encontro acabar ainda algumas dezenas de adeptos esperam a saída dos jogadores para o autocarro. Gritam por eles. Simpáticos, alguns lá acedem a um autógrafo aqui, uma foto ali.
É quase meia-noite. Há muito que Manuel Branco está de regresso a Espinho. É preciso descansar. No dia seguinte o seu Porto joga em casa...

Luís Melo
3º Comunicação Social

Baixa de Coimbra em alta

Quem entrou na cidade de Coimbra pela ponte de Sta Clara, facilmente percebeu que algo diferente tomara conta das ruas da cidade. A noite estava calma e muito fria, um grau a menos e a temperatura passava a negativa. A decoração natalícia parecia ser a mesma dos anos anteriores, mas a música da orquestra ecoava tão alto que que era impossível não perceber que a noite se transformara numa festa.
A ideia partiu de um grupo de estudantes de Engenharia Informática, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que desenvolveu o projecto “Noite Branca”, que consiste na animação cultural e comércio nocturno, para ajudar o comércio da baixa de Coimbra a combater a "desertificação", devido às enormes afluências a grandes superfícies comerciais.
Armindo Gaspar foi um dos visitantes que decidiu participar. “A minha família está a adorar presenciar este acontecimento. A cidade precisa de mais iniciativas como esta ao longo do ano, pois temos mesmo de manter viva a tradição na cidade, caso contrário o comércio tradicional continuará a desaparecer”, diz.
No centro da Praça Oito de Maio, vê-se uma enorme chaminé com cerca de quatro a cinco metros de altura, com um Pai Natal no topo. À entrada da Igreja de Sta Cruz, a Orquestra Ligeira da Filarmónica do Mondego anima a praça, onde muitos dançam.
Segundo Luís Braga, proprietário de uma loja de agasalhos nas imediações, “a noite está fria, o que por um lado é bom para as vendas, mas por outro é mau para as pessoas, pois muitas não se atrevem sequer a pensar sair de casa. Contudo, o resultado é acima do esperado, estou muito satisfeito. Gostaria de manter a minha casa aberta por muito tempo, mas para isso é necessário que a situação melhore consideravelmente".
Seguindo na direcção da Praça do Comércio, ouve-se um grande alarido ao cimo das escadas, é o Rancho Folclórico da Associação Cultural Rosas do Mondego a animar a “malta”, mas o ruído é tão alto que os cantores do rancho têm de se esforçar para se fazerem ouvir.
Sentados num dos bancos de jardim que ali se encontra, estão dois vendedores ambulantes, com peças de madeira trabalhadas à mão. Joeli Albani, moçambicano, não tem dúvidas, a iniciativa é boa: “A cidade está cada vez mais deserta, no Verão vêm-se poucas pessoas nas ruas, devem ir para a praia… no Inverno ninguém se atreve a sair à rua com medo do frio, são iniciativas como esta que nos fazem ganhar um pouco mais, esta cidade vive de estudantes, mas existem mais pessoas a viver cá e a precisarem dela para conseguir comer”.
Ao fundo das escadas da Praça do Comércio ouviu-se um enorme eco, o som bateu tão forte nas paredes da Igreja S. Bartolomeu, que era impossível alguém esquecer que a noite era de festa. O grupo responsável por tamanha algazarra é a “Olpa Big Band”, Orquestra Ligeira da Filarmónica da Pampilhosa, com 15 músicos.
Na Rua da Sota, a cerca de 5 metros da actuação, há três montras diferentes de todas as outras, são “montra vivas” com manequins humanos, quem passa acha engraçado e ri, ri tanto, que fazem rir os próprios manequins.
O pequeno estacionamento junto ao barco Basófias está apinhado de carros e até os arrumadores parecem ter tirado folga. À entrada da rua encontra-se um grupo de gaiteiros. O passeio está tão repleto de pessoas que parece ser dia. Dia de festa.

Paulo Rodrigues
3º Comunicação Social

Quando o temporário passa a permanente

Acabado o curso, muitos deparam-se com um obstáculo comum a muitos portugueses: o desemprego. Ao folhear os jornais, deparam-se com uma realidade mais sombria do que esperavam. “O flagelo do desemprego atingiu no primeiro trimestre deste ano 8,4% da população, que se encontra disponível para trabalhar” ou “ A taxa de desemprego regista maior subida dos últimos 15 anos”, são títulos quase diários. Enquadram-se nesta taxa percentual cerca de 50 mil jovens licenciados que terminaram os seus estudos e não encontram possibilidades de carreira na sua área de formação.
É neste cenário que os jovens começam a decidir o seu futuro, procurando alternativas com vista à sua independência pessoal e financeira.
A formação desejada e, por vezes, obtida com muito esforço passa para segundo plano. Uma das portas que se abre mais facilmente é a das empresas de trabalho temporário que recrutam e formam pessoas para as mais diversas áreas e sectores do mercado. São chamadas empresas de outsourcing, fornecendo recursos humanos a outras empresas que tentam diminuir os seus custos.
Segundo Bruno Pinheiro, responsável pelo call-center de apoio ao cliente da TV Cabo Portugal, “este trabalho temporário é procurado sobretudo por jovens que acabaram de completar a licenciatura. Tenho à minha responsabilidade cerca de 80% de licenciados e, considerando que estamos na "cidade dos estudantes", não há surpresa. Durante a procura do primeiro emprego precisam de pagar as despesas normais de uma casa e mesmo as da própria procura, e este torna-se um meio acessível a todos”.
Vera Salvador, licenciada em Língua Portuguesa e a trabalhar no atendimento ao público na loja da TV Cabo, em Coimbra, é um dos casos que ilustram esta realidade. Com 30 anos, procurou “uma segunda opção ou um recurso para pagar as despesas lá de casa”. “As preocupações de quem se esqueceu de pagar a factura do mês ou os problemas com os cabos de fibra óptica não são propriamente a realidade que me fazem mais feliz. No entanto, não me imagino daqui a 3 ou 4 anos no mesmo sítio. Gostaria de exercer aquilo para que estudei e dediquei tanto tempo, mas as coisas não estão fáceis para ninguém”, remata.
Percorrendo a mesma empresa, longe dos olhares cansados na fila à espera de vez, está Liliana Soares, de 28 anos. “O meu percurso foi um pouco diferente do habitual. Desisti de estudar aos 17 anos e quis logo pôr as mãos no trabalho. Respondi a um anúncio no jornal que pedia operadores de loja. E agora que já experimentei um pouco de tudo decidi tirar um curso superior que me preenche mais e sobretudo que é um complemento à formação prática que já tenho.”
Só para a TV Cabo Portugal, na zona centro, trabalham duas empresas de outsourcing absorvendo cerca de cem colaboradores a prestarem serviços de part-time e full-time.
Para o primeiro emprego a solução eficaz não existe, o que existem são pequenas opções até se encontrar o caminho, e o trabalho temporário pode ser uma alternativa à espera.

Diana Oliveira
3º Comunicação Social

Pílula do dia seguinte
é solução de último recurso

A pílula do dia seguinte encontra-se à venda desde o ano 2000, sendo cada vez maior a sua procura, quando a mulher teme engravidar.
Como se toma? Quais as consequências? São as perguntas mais frequentes.
A Internet parece ser o meio menos constrangedor para obter informação. Sites como o http://piluladodiaseguinte.no.sapo.pt/ dão respostas para algumas dúvidas. A pílula do dia seguinte só deve ser usada como medida de emergência, para prevenir a gravidez após uma relação sexual desprotegida durante o período fértil. Quando ingerida no máximo até 72 horas após o acto sexual, reduz o risco de engravidar, embora não seja 100% eficaz. Se a mulher já tomar a pílula contraceptiva regular, deve continuar a fazê-lo.
Ginecologista na Maternidade Professor Bissaya Barreto, em Coimbra, Inês Marques explica que a eficácia da pílula diminui tanto mais, quanto mais tarde for absorvida. Alertando para as suas consequências, pelas elevadas doses hormonais, a médica diz que “o uso excessivo da pílula abortiva altera o ciclo menstrual e prejudica gravemente a saúde, causando riscos como tromboses, cancro da mama, do útero e até mesmo problemas numa futura gravidez”. Se depois de tomar a pílula do dia seguinte, a mulher pretender ter relações sexuais, “deve usar um contraceptivo de barreira, como o preservativo”, aconselha. “A pílula é abortiva porque impede a implantação, não impede uma gravidez já instalada. Este medicamento não actuará se a mulher tiver outra relação sexual desprotegida, antes da menstruação seguinte”.
A ginecologista reforça a ideia de que o vómito e a diarreia podem acontecer após a toma da pílula abortiva, assim como uma hemorragia.
Para a médica, “há um desfasamento entre o crescimento do corpo e a maturidade. Quando surge uma oportunidade inesperada, não sendo tomada uma precaução, a pílula do dia seguinte é para muitas jovens a solução. Num meio académico como o de Coimbra, acontece regularmente. Certos erros devem-se à falta de um seguimento de planeamento familiar e ginecológico”.
Segundo o JN, “as portuguesas compraram quase 240 mil pílulas do dia seguinte, em 2006”. Daniel Pereira da Silva, da direcção da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, sublinhou ao JN que “a toma da pílula do dia seguinte equivale ao consumo de 15 comprimidos de uma pílula convencional”. Vera Rodrigues, farmacêutica na Farmácia Estádio, em Coimbra, diz que os picos de venda da pílula abortiva, este ano, foram em Janeiro, depois da passagem de ano, e em Maio, época da Queima das Fitas. “Seguimos um protocolo de ética. Fazemos perguntas chave e só fornecemos consoante as mulheres preencham certos requisitos. Damos um folheto informativo e aconselhamos que se dirijam ao serviço de contracepção de emergência na Maternidade Daniel de Matos. Não vendemos a homens e se verificarmos que é um risco para a saúde da mulher, recusamo-nos a dá‑la”, reforça.
A pílula do dia seguinte pode matar devido aos factores de risco causados pelos efeitos secundários, havendo “pelo menos cinco casos de morte”, revelou Margarida Castel-Branco, investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, ao Diário as Beiras. Embora a lei determine que seja fornecida gratuitamente nos Centros de Saúde e hospitais públicos, a pílula do dia seguinte é de venda livre e o preço ronda os 10 euros.
Inquiridas 20 estudantes do ensino superior, conclui-se que cinco já tomaram a pílula do dia seguinte e todas dizem estar bem informadas.
Ana viu-se obrigada a comprar a pílula abortiva por estar a tomar um antibiótico que cortava o efeito da pílula contraceptiva regular. Confessa ter sido uma irresponsabilidade, uma vez que estava informada e remata: “Por vergonha, pedi ao meu namorado que fosse à farmácia, não se pode repetir”.

Rita Matias
3º Comunicação Social

Crescente número de licenciados
é novo problema social

Longe vão os tempos em que um ‘canudo’ garantia uma entrada directa no mercado de trabalho.
Ao longo dos anos, o número de desempregados com habilitação superior têm vindo a aumentar significativamente, em consequência do aumento do número de diplomados.
Ivo Reis é um dos milhares de licenciados actualmente no desemprego. Licenciado em Tecnologias da Comunicação pela Escola Superior de Tecnologia e de Gestão do Instituto Politécnico de Bragança, está desempregado há cerca de um ano e, neste momento, procura ainda a sua primeira experiência na sua área de formação. Ivo Reis considera que o importante é não parar de procurar. “As desilusões fazem parte da aprendizagem que é necessária para enfrentar a realidade e a competitividade do mercado de trabalho, seja onde e quando for”, refere.
Segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no mês de Outubro de 2007, registaram-se cerca de 44.692 desempregados licenciados, em todo o país.
No entanto, o número de desempregados difere consoante as áreas de formação. As áreas das ciências sociais e as áreas ligadas à educação e à formação de formadores são aquelas que apresentam a maior taxa de desemprego, de acordo com os dados apurados pelo IEFP, em Junho de 2007.
Muitos são aqueles que não conseguem encontrar emprego na sua área de formação e que optam por trabalhar em outras áreas. É o caso de Ana Rita Jacinto e Catarina dos Santos. Ana Rita Jacinto é licenciada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e actualmente está a trabalhar como recepcionista no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.
Licenciada há já três anos, Ana Rita Jacinto, teve apenas uma experiência na sua área de formação num estágio que efectuou. Revela que já não tem esperança em encontrar emprego na sua área e que, se fosse hoje, escolheria uma área de formação diferente.
Catarina dos Santos, licenciada em Psicologia pela Universidade Internacional da Figueira da Foz, está actualmente a trabalhar como administrativa numa empresa de cerâmica. Terminou a sua licenciatura há dois anos e, até agora, a única experiência que teve na área da psicologia foi no seu estágio curricular.
A jovem licenciada garante que, se entrasse hoje para o ensino superior, não seguiria um sonho, como fez e que tentava “apostar numa área onde as saídas profissionais fossem mais viáveis”.
Contudo, Catarina dos Santos afirma que “o importante é nunca desistir”, acrescentando: “Deve-se tentar sempre fazer valer a vontade que nos moveu durante anos para concluir o curso”.
Na opinião dos jovens licenciados, o facto de muitos diplomados estarem a trabalhar numa área diferente da sua formação, deve-se essencialmente à realidade do mercado de trabalho em Portugal, à constante procura das empresas por pessoas com larga experiência de trabalho e ao comodismo de encontrar um emprego, sem qualquer ligação com o curso frequentado, onde se obtém um ordenado considerável.
No distrito de Coimbra, a maior taxa de desemprego verifica-se no grupo dos licenciados. No passado mês de Outubro, registaram-se neste distrito 1614 desempregados com formação superior.
Sónia Teles, responsável pelo gabinete de saídas profissionais da Associação Académica de Coimbra, refere que uma licenciatura continua a ser o caminho mais seguro para entrar no mercado de trabalho. No entanto, sublinha que se deve “ter em atenção os cursos que se fazem” porque nem todos têm uma boa integração no mercado de trabalho.
Apesar do número elevado de licenciados desempregados que se regista a nível nacional, este grupo de desempregados representa apenas 9,4 por cento da população inscrita nos centros de empregos de Portugal.

Urânia Cardoso
3º Comunicação Social

Aspirantes a jornalistas

Nesta nova cultura do empolgamento jornalístico, como a caracteriza Carl Bernstein, muitos são aqueles que, todos os anos, ingressam em cursos na área da comunicação social. Entre aqueles que vão ficando pelo caminho e os que decidem continuar em frente, encontramos Cândida Sá, agora jornalista, e Vasco Pinto, finalista do curso de Comunicação Social.
Cândida Sá concorreu para Comunicação Social, mas confessa que, na altura, nem imaginava o que tinha pela frente. Ao longo do curso, repetiu várias vezes que não queria ser jornalista, mas hoje os seus dias são passados dentro de uma redacção ou “na rua”a fazer aquilo que aprendeu a gostar. Quando chega ao “Aurinegra” (jornal local onde trabalha), corre apressadamente o correio electrónico e, como não poderia deixar de ser, lê todos os jornais diários que encontra à sua disposição. Considera fascinante a sua vida enquanto jornalista: “Sair para a rua, contactar com as pessoas, procurar informação, querer saber mais e, depois, exprimir tudo isso através de palavras”.
Cultivar fontes de informação não é tarefa fácil, Cândida sabe-o bem. Diz mesmo que as pessoas se afastam dos jornalistas e que essa é a principal dificuldade que tem sentido. No entanto, acredita que, com a experiência, irá aprender a lidar com isso. Considera que o curso no qual é licenciada tem pouco de prático ou, pelo menos no seu tempo de estudante, tinha, e que isso lhe dificultou o estágio na TVI. “Quando cheguei ao estágio nem sequer sabia escrever uma breve. Na TVI tive oportunidade de aprender a escrever uma “notícia à séria”. Foi uma experiência muito enriquecedora”. Hoje agradece o apoio e a atenção da coordenadora e editora e, aos futuros colegas de profissão, deixa o conselho: “Mexam-se”.
Entre o estúdio de uma rádio, a redacção de um jornal ou as câmaras de uma televisão, Vasco Pinto, finalista do curso de comunicação social da ESEC ( Escola Superior de Educação de Coimbra), opta pela última.
Por enquanto, fazer televisão, é apenas um sonho que espera ver concretizado em breve. Foi preciso chegar ao 4º ano para se sentir realmente satisfeito com o curso que, como Cândida, considera muito teórico. "Em Inglaterra as coisas eram bem diferentes”, recorda. Esteve em Erasmus no Cumbria Institute of the Arts e foi aí que começou a fazer as primeiras peças televisivas. Agora, com o estágio à porta, receia o que o espera, mas de uma coisa tem a certeza: “Farei os possíveis e impossíveis para trabalhar na área televisiva".

Tânia Figueiredo
3º Comunicação Social

Óleos Alimentares
de resíduo a matéria-prima

Os Óleos Alimentares Usados (OAU) são uma das mais recentes apostas no sector da reciclagem de resíduos.
Derivados da fritura de alimentos, os OAU provêm na sua maioria do uso doméstico, do fabrico industrial de batatas fritas e do sector HORECA que inclui hotéis, restaurantes, cantinas e cafés. No entanto, apenas uma pequena percentagem faz chegar os seus óleos a empresas especializadas na reciclagem desse resíduo.
Foram as questões sociais e ambientais que, no primeiro trimestre deste ano, levaram a APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Coimbra a ingressar na actividade de recolha destes resíduos. José Júlio, responsável pela gestão da associação refere que poucos são ainda os cidadãos individuais que entregam os seus óleos para reciclar. Hospitais, restaurante, cantinas, autarquias e instituições de solidariedade social são as principais organizações com as quais a associação trabalha.
O Hotel Tivoli de Coimbra é um dos 433 estabelecimentos no distrito de Coimbra que entrega os OAU à Biological, empresa de recolha desses resíduos. Na cozinha do hotel foi colocada uma vasilha onde são depositados os OAU. Após uma recolha, a empresa substitui o recipiente por um devidamente lavado e com condições para ser novamente utilizado. Por mês, este estabelecimento entrega 20 litros de óleo.
Helena Sequeira refere que a política do hotel “assenta na preocupação de ser ambientalmente responsável” e salienta que em Agosto deste ano lhes foi atribuída a certificação em Qualidade, Ambiente e Segurança.
A Biological, após a recolha, armazena temporariamente na sua empresa os OAU, em recipientes próprios até serem dirigidos aos operadores da reciclagem.
Isabel Tavares, gerente do restaurante “Os Tigres” refere que foi por iniciativa própria que, há um ano, procurou uma empresa de recolha para os seus óleos. “Foi fácil encontrar uma empresa que efectuasse esse trabalho, pois encontrei várias. Depois disso, já passaram por aqui algumas a oferecerem os seus serviços”, diz a gerente.
Os OAU, recolhidos e armazenados, têm como principais destinos finais a industria saboeira e a produção de biodiesel, que se concentra mais na zona norte do país.
Segundo a Quercus, em Portugal existem cerca de dez empresas de reciclagem.
No que diz respeito à legislação, Cármen Lima, da Quercus, afirma que actualmente não existe “uma legislação específica” para a reciclagem dos OAU, “mas sim referências no âmbito da gestão dos resíduos”.

Da fritadeira para o depósito

A utilização do OAU como fonte de produção de biodiesel tem sido apontada como uma das melhores soluções. A DieselBase é uma das empresas portuguesas que recebe o óleo para produção desse combustível. A empresa salienta a diminuição da produção de gases para a atmosfera e a independência face ao mercado de petróleo que oscila constantemente, como vantagens que o biodiesel apresenta em relação aos outros combustíveis.
A Lei proíbe que OAU sejam depositados no sistema de esgotos, mas a verdade é que as ETAR’s são frequentemente inundadas por óleos e gorduras associadas.
Susana Ferreira, engenheira das Águas de Coimbra explica que os perigos causados por esses óleos, quando depositados nas redes públicas de águas residuais, interferem principalmente na saúde, no ambiente e no estado das tubagens. “Um litro de óleo alimentar contamina cerca de um milhão de litros de água. O equivalente ao consumo de uma pessoa num período de 14 anos” alertou a engenheira.
É certo que não existe um sistema de recolha obrigatória nem uma fiscalização ao destino que é dado a esses resíduos. No entanto, o Instituto de Resíduos sugere que tanto no sector doméstico como no sector Industrial ou no sector HORECA, os produtores de OAU manifestem uma participação voluntária e de responsabilidade pelos seus resíduos.

Sara Pereira
3º Comunicação Social

 

Classe Media © 2007 Álvaro Vieira