quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Aprender até ao fim da vida

A Universidade do Tempo Livre (UTL), em Coimbra, está a iniciar mais um ano lectivo de aprendizagem e de convívio. Para além das aulas, duas vezes por semana, a UTL promove outro tipo de actividades para os idosos preencherem o tempo livre, nomeadamente passeios e visitas a museus. Alemão, Inglês, Italiano, Religião e Religiões, Informática, Astrologia Científica, Ginástica e Manutenção, Yoga, Danças de Salão e Fotografia Digital são apenas algumas das disciplinas que os alunos da UTL podem escolher.
Álvaro Moreira, aluno na UTL há quatro anos, frequenta as aulas de Inglês e de Informática. Antigo Inspector, na área de Direito Administrativo e em Direito do Trabalho, soube da existência da universidade através de uma vizinha. Procura, desde há quatro anos, manter uma vida activa e manter-se ocupado. Álvaro Moreira recorda o que o levou a ingressar na UTL: “Temi o corte de uma vida intensa para uma vida demasiado parada”. Com a ida para a universidade procurou sobretudo “uma valorização social”. E acrescenta: “a Informática surge como um desafio novo enquanto o Inglês, como forma de recordar a língua”.
As actividades oferecidas pelas Universidades para a Terceira Idade (UTI) são variadas. Um anúncio, entre os muitos disponiveis, sintetiza o conceito: “Se já não tem idade para trabalhar e não quer estar em casa sem fazer nada, pode ocupar o seu tempo e aprender diversas actividades desde teatro, bordados, música ou mesmo disciplinas como Antropologia, Literatura Portuguesa, Marketing ou Informática”.
As UTI’s são um modelo de formação de adultos, com grande sucesso a nível mundial, que lhes proporciona um enorme leque de actividades culturais, recreativas, científicas e de aprendizagem. Reforça os laços de amizade e pressupõe a captação e o desenvolvimento de novos conhecimentos. E, acima de tudo, permitem trocar conhecimentos adquiridos ao longo da vida.
Armindo Lopes, antigo empregado de escritório, antigo oficial do exército e ex-delegado de informação médica, procurou a UTL para acabar com o stress do dia-a-dia: “Estava muito cansado, ser delegado de informação médica era muito cansativo, obrigava-me a fazer muitos quilómetros”. Armindo Lopes é dos poucos alunos que ainda não está reformado. “Estou no fundo de desemprego porque ainda não tenho idade para a reforma”, explica. Soube da existência da UTL pela esposa, que também queria frequentar a universidade, e por informações da Câmara Municipal. Sobre a universidade diz: “O ambiente de camaradagem é impressionante. Há um forte equilíbrio de mentalidades, há uma maior preocupação com a evolução”.
Já a professora de Inglês da UTL considera que estes alunos são mais exigentes e mais impacientes que a generalidade da massa estudantil. “A motivação é diferente, estes alunos estão mais motivados. Estão cá porque querem, por um lado ocupar os tempos livres, ou porque querem, por outro lado sentir-se activos”, explica. A docente acrescenta: “São pessoas diferentes com feitios diferentes o que faz com que tenha de se fazer uma gestão um tanto ao quanto complicada”. “A turma começa a criar laços de afinidades e, por isso, diminuem os níveis de desistência", conclui.
Existem, actualmente, mais de 30 UTI’s que contribuem de forma pró-activa, para ajudar os idosos a construírem um futuro melhor e mais digno, para si próprios e para os outros. O objectivo é conquistar de novo uma posição importante no seio da família e da comunidade, que é sua por direito.

Catarina Fernandes
3º Comunicação Social

Emergências nos bombeiros

O relógio marca 16H00. Começa o turno da tarde nos Bombeiros Novos de Aveiro. Ana Lopes e Fernando Nunes, já fardados, dirigem-se à sala dos Técnicos de Ambulâncias de Emergência (TAE). Ana Lopes, bombeira há cinco anos, pega nos verbetes do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para conferir. “É a única coisa que o INEM nos paga.” O motivo radica na atribuição da ambulância do INEM à outra corporação de bombeiros de Aveiro, os Bombeiros Velhos, o Posto de Emergência Médica (PEM). Com os Bombeiros Novos, ficou a ambulância de Socorro a Náufragos.
Trim trim. Trim trim. “Bem, temos de ir. Até já.” Fernando conduz a ambulância, enquanto Ana controla os sinais sonoros. “É difícil sair do quartel, porque para além dos carros estacionados aqui em frente, na hora de saída das crianças do colégio é quase impossível a passagem da ambulância.” A juntar a essas dificuldades, soma-se a dimensão do quartel, que não é suficiente para todos os veículos da corporação, que ainda assim são poucos. “Faz-nos muita falta mais uma ambulância, pelo menos”, desabafa Fernando Nunes.
Apesar da ajuda prestada, nem sempre o estado de espírito dos bombeiros é positivo, quando regressam ao quartel. Nesta chamada, quando chegaram ao local receberam a habitual reclamação: “Pensávamos que nem vinham, demoraram tanto.” Apesar da reclamação, valeu o conhecimento da acidentada sobre o funcionamento do INEM. “Temos de ter em conta que somos os últimos a ser accionados”, diz Ana Lopes. Realidade desconhecida pela maioria dos portugueses, que pensam que quando ligam para o número de emergência médica (112) estão a ligar para os bombeiros. Quando uma pessoa telefona para o 112, a chamada é atendida por um polícia, que posteriormente a encaminha para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Aí, quem atende a chamada, pede à pessoa que explique a situação da vítima. Seguidamente é activada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VEMER) e, em último lugar, a ambulância INEM. Em Aveiro, caso esta esteja ocupada, é activada a ambulância dos Bombeiros Novos, mas o tempo que leva até esta ser disponibilizada pode ser fatal para quem está à espera.
Nova emergência, nova complicação na saída da ambulância para o local. Desta vez, uma emergência mais simples e rápida. “Um cliente do costume, mas qualquer dia prega-nos um susto a sério”, diz Ana enquanto se aquece no pequeno aquecedor. Clientes do costume são bastantes, e os bombeiros até já os conhecem. Por isso mesmo, já sabem do que se trata, quando são chamados para emergências em determinados locais. “90% das chamadas de emergência que recebemos do CODU, são menos importantes do que as que recebemos directamente no quartel”, refere Ana Lopes, enquanto explica o procedimento de emergência, à primeira estagiária a acompanhar estas situações, Paula Lopes.
Outra condicionante é o local onde ocorrem as emergências. Se a ocorrência for na via pública, é quase sempre emergência, pois o facto de uma pessoa se encontrar ferida num local público, à vista de toda a sociedade, não favorece a imagem do INEM. No entanto, caso a emergência ocorra em local privado, como a casa do acidentado, condiciona as saídas, principalmente se quem estiver ao telefone não souber explicar o que se passa. Mas o mais grave mesmo, é quando os bombeiros são chamados directamente. “Estar um bombeiro no local, a telefonar ao CODU, a explicar a situação, e mesmo assim, o CODU não considerar a ocorrência como emergência”, explica Ana Lopes.
Às 21H00, acaba o turno de Fernando Nunes. Ana Lopes e Paula Lopes reclamam pelo jantar. Fernando acompanha-as até o centro comercial para que elas possam jantar acompanhadas e também para ajudar Ana nas explicações à nova estagiária. Para Fernando, o dia hoje terminou, mas as emergências continuam pela noite fora…

Andreia Pereira
3º Comunicação Social

Voltar à escola compensa

Boa noite! Vão dizendo à medida que entram na sala de aula, os alunos do curso RVCC (reconhecimento validação e certificação de competências) para adultos, integrado no projecto Novas Oportunidades.
A confusão instala-se com a distribuição dos trabalhos corrigidos pelo formador de Português.
Os formadores, profissionais que acompanham o adulto, são de instituições que aderiram a esta iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e Solidariedade.
Este curso existe desde 2000 e veio dar resposta ao baixo índice de escolarização dos Portugueses.
Olinda Eufrásio, com a 4º classe, iniciou o curso RVCC a nível do ensino básico em Outubro e diz entusiasmada: “Espero poder sentir-me realizada a nível pessoal e profissional, alargar os meus conhecimentos”.
A formação consta de trabalhos realizados em casa que puxam pela reflexão, com temas de várias áreas como a matemática e o português.
Posteriormente os trabalhos são corrigidos e distribuídos em aula, a entrega provoca um momento de silêncio, os alunos lêem as recomendações do formador, para melhorar no próximo trabalho.
No meio do frio que se faz sentir na sala, o professor continua a sua aula, os alunos mostram-se empenhados, embora sintam muitas dificuldades. “A falta de tempo, o trabalho, a família, os afazeres da casa, tornam tudo muito complicado e cansativo”, diz Olinda Eufrásio.
A exigência cresce ao longo do curso, são pedidos cada vez mais trabalhos, são realizados testes, fichas. “Está a complicar-se cada vez mais e para nós que já temos alguma idade não se tem revelado fácil”, diz, com ar de cansada, Maria Adília, aluna do ensino básico com 52 anos e o 8º ano incompleto.
Esta iniciativa para os adultos chega não só às escolas, mas também às juntas de freguesia. Vítor Nunes, vice presidente da junta de freguesia de Cernache (Coimbra) e director do curso Novas Oportunidades na escola secundária de Figueiró dos Vinhos, diz satisfeito: "O curso está a ser um êxito na nossa junta de freguesia, estão 60 pessoas inscritas, é uma capacidade de resposta para a população, o que é óptimo para o meio envolvente”.
As pessoas que frequentam o curso RVCC, esperam recuperar muitas coisas, hábitos de leitura, conhecimentos que já se encontravam esquecidos. “Este curso tem sido um remexer no meu passado e meter para o papel, usar coisas do dia a dia para aprender, como por exemplo uma simples factura” diz contente Maria Adília.
No final do curso os alunos têm de apresentar um dossiê pessoal com todos os trabalhos realizados e, ainda, apresentar ao júri de certificação, um trabalho realizado em Power Point.
Fernanda Lopes recebeu o seu certificado de 9º ano, em Março deste ano: “Este curso ajudou-me bastante no meu trabalho, sinto-me uma pessoa mais completa, mas não foi fácil conciliar os horários, só com muita força de vontade consegui terminar”.
Acabado o 9º ano e com o certificado na mão, Fernanda acrescenta: "Gostava de tirar o 12º ano, mas sei que vai ser muito mais exigente e é precisa mais disponibilidade”.
Segundo Vítor Nunes, o governo pretende até 2010 certificar meio milhão de pessoas a nível do 9º ano de escolaridade.
Este curso representa uma nova oportunidade para quem não conseguiu terminar os estudos, que sentem que vale a pena voltar a aprender, apenas com a experiência adquirida ao longo da vida.

Vânia Antunes
3º Comunicação Social

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Entre o sonho e a saudade

A emigração é uma tradição secular em Portugal. A procura de melhores condições de vida é a razão mais comum para a partida dos portugueses. Mas, muitas vezes, a ilusão transforma-se em desilusão.
“A chegada ao novo destino, a mudança de clima, a novidade do desconhecido, a nova casa, a cultura ainda desconhecida, são tudo factores ilusórios”, afirma Solange. Ela e o seu marido, Martim, fazem parte dos 28% de emigrantes permanentes no estrangeiro, segundo estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE). Decidiram emigrar, pois a vida “não estava fácil”, diz, e têm dois filhos para criar. Escolheram Inglaterra como destino, por considerarem o país desenvolvido e adequado para os estudos dos filhos. Solange, de 39 anos, e Martim, de 46, ambos com a quarta classe, sonham que os filhos, Afonso e Luana, de 15 e 21 anos, “se possam formar e ser alguém na vida".
“Arranjar casa e trabalho foi fácil, as pessoas foram acolhedoras e também tinham boas referências nossas. Os patrões foram sempre sérios e prestáveis, quando necessário”, diz Martim, satisfeito. Já passaram três anos e não é o clima frio, a gastronomia, nem as diferenças culturais que preocupam o casal. “Outros valores falam mais alto”, afirma Solange, com olhar triste. Sentem a falta dos filhos. A saudade, a angústia e a preocupação, tiram o sono a estes pais. “As visitas a Portugal são frequentes, mas nunca são as suficientes”, confessa Luana, que gosta de passar férias com os pais, mas que prefere permanecer em Portugal.
Já Agonso, mudou-se para Inglaterra e, passadas algumas semanas, começou a frequentar a escola da localidade onde morava. Entrou para a equipa de futebol da cidade, chegando mesmo a ser seleccionado para representar a zona norte do país num torneio na Alemanha, e fez alguns amigos. “Inicialmente estava radiante e a adaptação foi muito positiva, novas cidades, novos estilos, nova língua, neve e tudo”, afirma, em tom de brincadeira, acrescentando: “O pior veio depois com as atitudes racistas e as perseguições”.
“Adorei o tempo que lá passei, o torneio na Alemanha, as brincadeiras, as miúda, mas não percebo porque não me deixavam em paz”, diz Afonso. As perseguições começaram na escola, tinha, por vezes, chegando mesmo a permanecer dentro da sala de aula no intervalo, com receio de alguns colegas. “Uma vez, se não fosse uma funcionária, atiravam-me de uma escada”, desabafa, com lágrimas nos olhos. “Estavam sempre a mandar-me para o meu país e a culpar-me de tudo o que acontecia. Cada dia, arranjavam um motivo novo para implicar comigo e acho que tinham inveja por eu tirar boas notas e ser bom jogador, não sei bem, não dava para perceber”, recorda.
Afonso regressou a Portugal um ano e meio depois. Não conseguiu acabar o nono ano, mas os pais optaram assim, pois preferiram que o seu filho “perdesse um ano na vida do que a vida em menos de um ano”.

Joana Martinho
3º Comunicação Social

O último porto de abrigo

O dia no lar começa bem cedo, com os pequenos-almoços a serem servidos na cama ou no refeitório, consoante a mobilidade das pessoas. Depois de “feita a higiene” a todos os utentes, alguns ficam pelo quarto, outros pelos espaços de convívio e outros aproveitam para passear.
É o caso de Manuel Maia, utente do lar da Santa Casa da Misericórdia de Vagos, que aproveita para dar o seu passeio sempre que pode. “O meu estado de saúde piorou e comecei a precisar de cuidados de saúde que sozinho não podia ter e que os meus filhos não me podiam dar”, explica.
Manuel Maia vive num lar completamente remodelado, onde o cheiro a novo se confunde com o odor característico da idade. Onde todos são como uma família, se ajudam uns aos outros e onde a fome “não bate à porta”. Diz ser muito bem tratado por todas as pessoas no lar e é com grande entusiasmo que recorda que, quando aí entrou, estava numa cadeira de rodas e hoje tem forças para andar pelo seu próprio pé. No meio do ruído da sala de convívio, comenta satisfeito: “Recebo visitas apenas de dois dos meus cinco filhos, mas aparecem cá duas a três vezes por semana”.
“Gosto muito de estar no lar porque não me sinto tão sozinho”, diz Manuel´Maia. “As condições da minha casa eram muito más e cheguei mesmo a passar fome”, afirma, com o olhar carregado de tristeza. A precariedade das habitações, o baixo rendimento, o abandono e o isolamento social são os principais problemas que afectam a vida dos idosos, mas que podem ser amenizados se estiverem num lar onde possam receber apoio físico e psicológico. Este idoso encontrou no lar muitos amigos, a sua nova casa está sempre cheia de luz e companhia nunca lhe falta.
Lígia Almeida, psicóloga no lar da Santa Casa da Misericórdia de Vagos e companheira de muitas conversas com Manuel Maia, comenta que nem todos os casos são iguais e que alguns idosos só recebem visitas “em épocas festivas e alguns quase nunca”. Os funcionários do lar tornam-se uma segunda família para os idosos que recebem deles o carinho negado pelos parentes. Segundo a psicóloga, as justificações para deixar os idosos no lar prendem-se geralmente com a necessidade de cuidados que o apoio domiciliário e a família não conseguem dar e também com a viuvez.
Lurdes Ferreira vive sozinha há cerca de 15 anos na sua casa a 1 km do lar e é no pequeno jardim em frente àquela instituição que procura companhia para algumas tardes. Tem filhos que não estão presentes e que raramente a vão visitar. É no banco do jardim, e com as lágrimas a caírem-lhe, que confessa sentir-se “muito sozinha”, dizendo já não ter capacidades para “cuidar sequer da sua higiene e da sua casa”. O lar é para esta idosa mais um motivo de inquietação, porque não consegue encontrar vagas. “Tenho procurado desesperadamente um lar aqui na região, mas não há vagas”, explica. O problema não é económico, porque as mensalidades adaptam-se ao rendimento de cada um. O que a entristece é “ter de esperar que alguém morra para poder ir para o lar”.
Este é um problema grave em Portugal. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de idosos em Portugal é superior ao número de jovens, mas faltam estabelecimentos para a terceira idade e, em alguns dos que existem, funcionam em condições deficientes.
Apenas 1 km separa fisicamente Manuel e Lurdes, mas a distância que os separa, no que respeita às condições de vida, é (ainda) intransponível. Pelo menos, até Lurdes encontrar também o seu porto de abrigo.

Joana Capucho
3º Comunicação Social

Aprender com a ESEC TV

A ESEC TV é uma estrutura de produção de vídeo e de televisão, que funciona na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) , graças ao trabalho de professores e alunos da licenciatura em Comunicação Social, mas também com a colaboração de alunos e docentes de outras licenciaturas. O seu funcionamento diário é assegurado por uma equipa de profissionais da área, formados na ESEC.
O projecto é coordenado por Francisco Amaral, professor da área das Ciências da Comunicação, das Organizações e dos Media, com o apoio técnico de Luís Pato e João Ventura, profissionais na área dos audiovisuais e funcionários da ESEC. Transformar a ESEC TV num pólo de formação na área dos audiovisuais, “incontornável para quem, na ESEC, queira fazer uma formação prática, séria e de exposição pública” é um dos principais objectivos do coordenador, Francisco Amaral, que tem “aberto as portas” da produtora aos alunos, proporcionando-lhes uma interacção pedagógica e real com o meio no qual, mais tarde, poderão vir a trabalhar.
Ao participar activamente na ESEC TV, os alunos têm a oportunidade de executar um produto real e não a sua simulação. Francisco Amaral acredita que “todos os alunos de Comunicação Social vão sair da Escola com a prática que as empresas sentem que não têm obrigação de lhes dar” e realça que, “conforme as capacidades de cada um, todos devem estar prontos a desempenhar funções nas empresas, e mesmo nas empresas que venham a ser por eles criadas”.
Para além desta vertente pedagógica, a ESEC TV produz para dois fins distintos: programas de televisão (RTP-2) e outros trabalhos em suportes multi-plataforma. Actualmente, produz um programa semanal de 30 minutos que se apresenta como um magazine cultural que aborda várias actividades e eventos desenvolvidos no Instituto Politécnico de Coimbra na ESEC e na cidade de Coimbra. É transmitido no Espaço Universidades, da RTP2.
Com esta janela aberta para o mundo exterior, a ESEC TV tem como principal preocupação colocar a cidade de Coimbra na pauta da agenda cultural de Portugal e mostrar a sua dinâmica artística, pois, em geral, quase só Lisboa e Porto têm visibilidade nos media.
Para Carina Esteves, produtora da ESEC TV, a cidade de Coimbra não tem “muita expressão nos media”, o que faz com que este magazine semanal seja muito bem aceite entre o público local. Este programa dá também a conhecer as actividades do Instituto Politécnico de Coimbra, principalmente aquelas organizadas pelos alunos.
Carina Esteves sintetiza a essência do projecto: a ESEC TV é, “ para além de um pólo de formação pedagógica para todos os alunos da ESEC, uma produtora, que produz jornalismo cultural” e que tem “oportunidade de o difundir através do seu magazine, todas as quartas-feiras de madrugada, na RTP2”.

Carolina Névoa
3º Comunicação Social

Amarelo-Azul

Na origem de um número cada vez maior de bebés proveta e da crescente inseminação artificial, destaca-se Robert Clark Graham, um milionário americano que se dedicou à engenharia genética e que já criou mais de 200 crianças: bebés em tubos de ensaio, cuja etiqueta tinha, apenas, escrito “Amarelo-Azul”.
Para a criação destes bebés existem algumas regras: os dadores de sémen não podem ter quaisquer fraquezas genéticas, não podem ter mais de 40 anos, não podem gerar mais de 20 filhos e, acima de tudo, e condição indispensável, deverão ter um Quociente de Inteligência (QI) de pelo menos 120 (mais 30 pontos do que a média). As mães têm de estar casadas com homens financeiramente bem sucedidos e que não possam ter filhos biológicos e têm de ter, também, um QI elevado.
O objectivo de Graham é melhorar a raça humana e não degradá-la. Será preciso tudo isto para a melhorar? Não deveria isso partir das próprias pessoas? Não será com pessoas como o Dr. Graham que a humanidade se degrada, querendo sempre mais e melhor do que aquilo que pode realmente ter? Por que ficará excluída deste tratamento uma pessoa que possua 119 de QI? Não valerá o mesmo que as outras apenas com mais um ponto?
O Dr. Graham assegura que são dadas as devidas oportunidades às crianças “de marca” para aproveitarem plenamente todo o potencial que têm e virem a ser pessoas importantes para a humanidade. E porque não dar as mesmas oportunidades a outras crianças “normais”? Se as “de marca” já são inteligentes ao ponto de aos 9 meses já andarem, aos 2 anos dominarem o computador e aos 5 lerem Shakespeare, poderiam dar-se essas tais oportunidades a outras crianças não tão inteligentes.
Esta história não lhe lembrará uma outra? Existe um inegável paralelismo entre gerar crianças super inteligentes e o sonho de um senhor chamado Hitler – que de senhor tinha muito pouco – de criar uma raça ariana superior. Não deveriam as oportunidades de crescimento e de desenvolvimento ser iguais para todos? Não só os homens e mulheres com elevado grau de inteligência deveriam trabalhar com este médico, assim como também os outros “menos dotados”? Se é para melhorar a raça humana, não estamos no caminho certo...
Sendo os bebés fruto e resultado de algo denominado “Amarelo-Azul” não sairão um pouco “verdes”? Talvez seja dessa côr a mentalidade deste brilhante cientista que deve amadurecer as suas ideias éticas…

Analisa Lucas
3º Comunicação Social

 

Classe Media © 2007 Álvaro Vieira